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Laser ou LED na fotobiomodulação transcraniana: qual é o mais eficaz?

Afinal, o que é superior para tratar o cérebro: laser ou LED? Por mais de 50 anos, os lasers dominaram o discurso da fotobiomodulação. Essa herança histórica criou um mito com narrativas persistentes: 

  • de que somente ele era efetivo; 
  • de que a coerência da luz era essencial; 
  • e de que LED era uma opção “de segunda linha” para quem não podia pagar por um equipamento “de verdade”. 

Em 2026, a ciência nos diz algo bem diferente.

Hoje, os LEDs de potência adequada produzem os mesmos efeitos mitocondriais que lasers, com segurança comprovada, sem exigir calibrações periódicas e a um custo que realmente permite que clínicas, pacientes e instituições implementem protocolos robustos. 

O que mudou? Não foi a física… Foi a qualidade das evidências.

Neste artigo, vamos desconstruir três mitos técnicos que ainda sustentam a “superioridade” percebida do laser, examinar as diferenças físicas reais entre LED e lasers e explorar por que os LEDs dos dispositivos Infrallux representam uma abordagem clinicamente mais adequada para a maioria das aplicações cerebrais.

Se os parâmetros (dose, comprimento de onda, irradiância) forem equivalentes, a penetração tecidual tende a seguir as mesmas regras físicas, independentemente se a fonte é coerente (laser) ou não coerente (LED). 

Na Infrallux, o foco é a luz NIR (espectro infravermelho próximo): ele é escolhido porque sofre menos absorção pelos principais “bloqueadores” do tecido (hemoglobina, melanina e água), permitindo que chegue ao córtex.1

Mito 1: Laser é sempre mais eficaz que LED

Historicamente, argumentava-se que a luz coerente (laser) era superior à luz não coerente (LED) porque:

  • a coerência criaria padrões de interferência que estimulariam melhor as mitocôndrias;
  • a colimação permitiria maior penetração em tecido profundo.

O que a ciência de 2024-2026 mostra é que isso é discutível.

Um estudo de Heiskanen e Hamblin2, que já se tornou um clássico, revisou 40 anos de literatura comparando lasers e LEDs. A conclusão foi de que a fotobiomodulação é um fenômeno fotobiológico, não um fenômeno exclusivo dos lasers. As comparações entre lasers e LEDs apoiam essa ideia.

A razão é simples: a ciência funciona ao nível do cromóforo celular — especificamente o citocromo c oxidase nas mitocôndrias. Essa enzima não “sabe” se o fóton que absorve veio de um laser coerente ou de um LED não coerente. São as seguintes características que importam:

  1. Comprimento de onda;
  2. Densidade de potência (mW/cm²);
  3. Fluência total (J/cm²);
  4. Duração do tratamento.

A coerência não está nessa lista. De fato, estudos recentes3 mostram que LEDs de 810 nm com densidade de potência moderada (~135 mW/cm²) produzem aumento em hemoglobina oxigenada e CCO oxidado comparáveis aos delasers de 800 nm, inclusive mostrando padrões dose-dependentes similares.

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Mito 2: LED não penetra no cérebro

Como demonstrado por Naeser et al.4 (2023) em estudo de caso, quatro ex-jogadores de futebol com encefalopatia traumática crônica tratados com LEDterapia transcraniana (810-870 nm): apesar da penetração limitada, a terapia produziu melhoria cognitiva mensurável e neuroimagem comprovou o aumento de conectividade funcional cerebral e concentrações de NAA (marcador de saúde neuronal) no córtex cingulado anterior. 

A explicação reside em mecanismos compensatórios documentados por Lin et al.5 (2024): efeitos sistêmicos remotos (vasodilatação local, redução de neuroinflamação) amplificam a resposta neurobiológica mesmo com penetração teórica baixa. Assim, embora a transmissão direta seja limitada, a ativação cerebral in vivo com LEDs na FBMt é biologicamente mensurável e tem potencial clinicamente eficaz.

Mito 3: Mais potência gera melhores resultados

A fotobiomodulação segue uma curva bifásica de dose-resposta — isto é, existe uma zona otimizada de estímulo, fora da qual o efeito diminui ou inverte. 

Schiffer et al. (2009) realizaram um estudo-piloto em que aplicaram uma única sessão com LEDs de 810 nm de forma bilateral na testa por 4 minutos em cada lado (total de 8 minutos), com irradiância de 250 mW/cm². Em pacientes com depressão maior (muitos dos quais em tratamento medicamentoso contínuo), houve redução significativa dos sintomas (escalas HAM-D e HAM-A) observada principalmente em 2 semanas, com efeitos benéficos permanecendo estatisticamente significativos em 4 semanas

Por outro lado, Xuan et al. (2016), utilizando modelo de lesão cerebral traumática em camundongos, mostraram que o tratamento diário durante 14 dias consecutivos com laser (810 nm, 18 J/cm²) resultou em desempenho neurológico inferior em comparação com o protocolo de apenas 3 dias (sendo, inclusive, pior do que o grupo não tratado na segunda semana). O excesso de sessões causou aumento significativo de marcadores de ativação glial (GFAP) na quarta semana, levando a uma “inibição temporária do processo de reparo cerebral” induzida por gliose reativa. 

Isso reflete o princípio da resposta de dose bifásica (hormese) discutido por Huang et al. (2009): embora o tratamento excessivo cancele os benefícios imediatos, o estudo concluiu que nenhum dano permanente foi causado, pois a inibição cessou e o reparo cerebral foi retomado mais tarde (semanas 5 a 8).

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Algumas aplicações clínicas da FBMt com LEDs

A FBMt com LEDs apresenta: 

  • emissão não coerente e distribuída; 
  • cobertura ampla do couro cabeludo; 
  • menor risco térmico; 
  • parâmetros estáveis e predefinidos; 
  • não exige calibração periódica; 
  • tem facilidade de uso clínico e domiciliar, oferecendo segurança na prática clínica.

Isso a torna seguramente aplicável a condições de saúde, como:

Transtornos neuropsiquiátricos

Doenças cerebrovasculares

Traumas cranioencefálicos

  • Lesão cerebral traumática moderada;
  • Lesão cerebral traumática crônica;
  • ​Encefalopatia traumática crônica.

Doenças neurodegenerativas

Transtornos do neurodesenvolvimento e comportamento

Saúde cognitiva e envelhecimento

  • Comprometimento cognitivo relacionado à idade;
  • Aprimoramento cognitivo em indivíduos saudáveis.

Transtornos relacionados a substâncias

  • Dependência de opioides (com depressão/ansiedade comórbida).

Condições em investigação clínica ativa (2025-2026)

  • Fibromialgia;
  • Enxaqueca/cefaleia crônica;
  • Insônia crônica;
  • Neuropatia periférica com componente central.

Conclusão

Ao trocar lasers por LEDs, a biofísica permanece: cromóforos absorvem fótons específicos, produzindo efeitos celulares específicos. 

O mito de que “laser é superior” persiste não por evidência, mas por inércia. Continuar prescrevendo lasers de alta potência enquanto LEDs produzem os mesmos resultados é deixar de utilizar a tecnologia a favor dos seus pacientes e da sua prática clínica.

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Referências bibliográficas

  1. FERNANDES, F. et al. Devices used for photobiomodulation of the brain: a comprehensive and systematic review. Journal of NeuroEngineering and Rehabilitation, London, v. 21, n. 1, p. 53, 2024. DOI: 10.1186/s12984-024-01351-8. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1186/s12984-024-01351-8. Acesso em: 26 jan. 2026.
  2. HEISKANEN, V.; HAMBLIN, M. R. Photobiomodulation: lasers vs light emitting diodes? Photochemical & Photobiological Sciences, Cambridge, v. 17, n. 8, p. 1003–1017, 2018. DOI: 10.1039/c8pp00176f. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6091542/. Acesso em: 26 jan. 2026.
  3. PRUITT, T.; CARTER, C.; WANG, X.; WU, A.; LIU, H. Photobiomodulation at different wavelengths boosts mitochondrial redox metabolism and hemoglobin oxygenation: lasers vs. light-emitting diodes in vivo. Metabolites, Basel, v. 12, n. 2, p. 103, 2022. DOI: 10.3390/metabo12020103. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35208178/. Acesso em: 26 jan. 2026.
  4. NAESER, M. A. et al. Transcranial photobiomodulation treatment: significant improvements in four ex-football players with possible chronic traumatic encephalopathy. Journal of Alzheimers Disease Reports, Amsterdam, v. 7, n. 1, p. 77–105, 2023. DOI: 10.3233/ADR-220022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9912826/. Acesso em: 26 jan. 2026.
  5. LIN, H. et al. Transcranial photobiomodulation for brain diseases: review of animal and human studies including mechanisms and emerging trends. Neurophotonics, Bellingham, v. 11, n. 1, p. 010601, 2024. DOI: 10.1117/1.NPh.11.1.010601. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10840571/. Acesso em: 26 jan. 2026.

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