Quando se fala em fotobiomodulação (FBM), é comum pensar em um tratamento local, com ação pontual e efeito restrito ao tecido iluminado. Em algumas abordagens, porém, o alvo principal não é o “tecido do sintoma”, mas um veículo de integração sistêmica: o sangue. É onde entra o ILIB Sublingual, dispositivo aprovado pela Anvisa.
Nessa lógica, vamos falar hoje de fotobiomodulação sistêmica ou ILIB (Intravascular Laser Irradiation of Blood), em que a luz interage com componentes sanguíneos e estruturas vasculares, desencadeando respostas que podem repercutir em múltiplos órgãos e sistemas.

ILIB: por que atuar no sangue gera efeitos sistêmicos?
A sigla ILIB vem do inglês Intravascular Laser Irradiation of Blood (irradiação intravascular do sangue com laser) originalmente realizada de forma invasiva por cateter, irradiando o sangue dentro de uma veia periférica.
Com o amadurecimento da técnica, surgiram abordagens não invasivas, nas quais a irradiação é feita sobre grandes vasos por via transdérmica/transcutânea (como a artéria radial, poplítea ou carótida) ou por via transmucosa, em regiões ricamente vascularizadas como a sublingual.
A lógica fisiológica por trás do “efeito sistêmico” é simples: o sangue circula por praticamente todos os tecidos, transportando oxigênio, nutrientes, células de defesa e uma ampla gama de sinais bioquímicos que conectam metabolismo, inflamação, coagulação e imunidade.
Quando a luz é absorvida por hemácias, plaquetas, proteínas plasmáticas, endoteliócitos e células imunes circulantes, essa interação pode modificar parâmetros reológicos, vias inflamatórias, defesa antioxidante e função endotelial, com repercussões sistêmicas documentadas em dezenas de estudos internacionais.
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O que é fotobiomodulação sistêmica?

Podemos chamar de fotobiomodulação sistêmica a estratégia em que a luz é direcionada ao sangue (diretamente, dentro do vaso sanguíneo, ou funcionalmente, ao irradiar estruturas vasculares ricas em fluxo), produzindo efeitos que se manifestam em todo o organismo.
Em vez de iluminar apenas o “tecido do sintoma”, ilumina‑se um meio circulante capaz de modular, ao mesmo tempo, vias hemodinâmicas, inflamatórias, oxidativas e imunológicas.
É importante explicitar uma confusão comum: não se trata de “feixes de luz viajando intactos pelo corpo”, mas de bioefeitos gerados localmente, a partir da absorção de fótons por cromóforos biológicos (como citocromo c oxidase, hemoglobina e outras metaloproteínas), com consequências sistêmicas mediadas por circulação, sinalização endócrina/parácrina e ajustes da fisiologia vascular e imune.
Por que usar fotobiomodulação pelo sangue?
O sangue pode ser entendido como um “órgão funcional difuso”: ele integra transporte de oxigênio, viscosidade e deformabilidade celular, hemostasia, mediação inflamatória, defesa antioxidante e resposta imune.
Intervir nesses eixos de forma segura e fisiológica pode “destravar gargalos” presentes em diferentes condições clínicas, sobretudo quando há comprometimento de microcirculação, estresse oxidativo, inflamação crônica ou disfunção endotelial.
Meneguzzo e colaboradores (2017), no livro Handbook of Low-Level Laser Therapy, editado por Michael R. Hamblin, Marcelo Victor Pires de Sousa e Tanupriya Agrawal, resumiram os efeitos do ILIB, como efeitos gerais demonstrados:
- regulação de lipídeos sanguíneos;
- normalização da peroxidação lipídica;
- inibição da agregação plaquetária;
- normalização do sistema de hemostasia;
- defesa antioxidante;
- vasodilatação;
- melhora das características hemorreológicas (viscosidade e propriedades viscoelásticas);
- aumento da microcirculação;
- ativação/imunomodulação de células dendríticas, macrófagos e linfócitos.
Qual é a maior vantagem do ILIB Sublingual?
A via sublingual é uma alternativa transmucosa interessante quando o objetivo é favorecer a interação da luz com vasos da região (como veia/plexo lingual), em um local de fácil acesso, bem vascularizado e sem necessidade de punção.
Diferentemente da via radial transcutânea, a mucosa sublingual oferece menor barreira de melanina e estrato córneo, o que pode facilitar a entrega de dose efetiva de fótons a estruturas vasculares superficiais, usando potências relativamente baixas.
Dentro do conceito de fotobiomodulação sistêmica, o princípio permanece o mesmo: atuar sobre o sangue para induzir respostas sistêmicas, agora por uma via não invasiva, de curta duração e relativamente confortável, o que favorece sua inclusão em protocolos de suporte e manutenção, especialmente quando a punção venosa não é desejada ou não é bem tolerada.
E como funcionam os LEDs no ILIB Sublingual?
Historicamente, o ILIB foi desenvolvido com lasers de baixa potência, sobretudo na faixa de 630–640 nm, para aplicação intravascular. Entretanto, na prática clínica contemporânea, dispositivos com LEDs vermelhos em faixas próximas (620–680 nm), como o ILIB Sublingual, são amplamente utilizados para fotobiomodulação em tecidos superficiais, com efeitos documentados sobre metabolismo celular, inflamação e cicatrização.
O racional é que, embora LEDs e lasers tenham diferentes características de coerência e colimação, em baixas intensidades e para alvos predominantemente superficiais (como a mucosa sublingual), a resposta biológica é majoritariamente dependente de comprimento de onda, dose e fluência, e não da coerência em si — como reforçado por revisões amplas em fotobiomodulação.
Mas, atenção: é terapia complementar, não monoterapia
Este ponto é central: a fotobiomodulação sistêmica ILIB deve ser entendida como terapia complementar, com papel de suporte fisiológico e de potencialização de processos naturais do organismo.
Não como promessa de cura, substituta de tratamento médico ou “atalho” terapêutico. A indicação deve ser contextualizada, individualizada e conduzida por profissional habilitado.
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Se você só conhece a fotobiomodulação com luz irradiada no local da dor, o ILIB expande o tratamento. Ao atuar no sangue, a fotobiomodulação pode se associar a efeitos sistêmicos relatados na literatura,como:
- microcirculação;
- oxigenação;
- modulação inflamatória;
- defesa antioxidante;
- imunomodulação;
- suporte à função vascular.
Essa visão não retira a importância da fotobiomodulação local, mas sim a complementa: em muitos protocolos, o raciocínio clínico é justamente combinar estratégias locais e sistêmicas com objetivos diferentes.
Referências bibliográficas
1- SILVA, Vanessa Guerling da; MARTINS, Wesley. The systemic action of the intravascular laser irradiation of blood (ILIB) therapy to strengthen the immune system and the inflammatory process: an integrative review. Research, Society and Development, Itajaí, v. 12, n. 6, p. e42265, 26 jun. 2023. Disponível em: <https://rsdjournal.org/rsd/article/view/42265>. Acesso em: 12 fev. 2026.
2- MENEGUZZO, Daiane T. ILIB: Fotobiomodulação sanguínea. Apostila de curso. Campinas: Allaser Cursos de Laser, 2023.
3- OLIVEIRA, Lucas Augusto Rodrigues de; GÓIS, Ionei Matos de. Clinical outcomes of intravenous laser irradiation of blood in reducing inflammatory processes in obesity: a systematic review. International Journal of Nutrology, [S. l.], v. 18, n. 3, 31 jul. 2025. Disponível em: <https://doi.org/10.54448/ijn25311>. Acesso em: 18 fev. 2026.
4- MENEGUZZO, Daiane Thais; FERREIRA, Leila Soares; CARVALHO, Eduardo Machado de; NAKASHIMA, Cassia Fukuda. Intravascular laser irradiation of blood. In: HAMBLIN, Michael R.; SOUSA, Marcelo Victor Pires de; AGRAWAL, Tanupriya (ed.). Handbook of low-level laser therapy. Singapore: Pan Stanford Publishing, 2017. p. [933-952]. ISBN 978-981-4669-60-3.
5- LEITE, Gabriella Magalhães Azevedo; LEITE, Marcia Maria Peixoto; DANTAS, Juliana Borges de Lima; MARTINS, Gabriela Botelho; MEDRADO, Alena Ribeiro Alves Peixoto. Clinical applications of ILIB technique in dentistry – state of art. Research, Society and Development, Itajaí, v. 11, n. 5, p. e28295, 2022. Disponível em: <https://doi.org/10.33448/rsd-v11i5.28295>. Acesso em: 18 fev. 2026.
6- MENEGUZZO, Daiane Thaís. ILIB – Fotobiomodulação sanguínea: efeitos locais e sistêmicos. 1. ed. Santos Publicações, 2025. 336 p. ISBN: 9786552670144.
