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História da fotobiomodulação: da descoberta científica às aplicações na saúde

Muito antes dos LEDs, dos lasers terapêuticos e da fotobiomodulação transcraniana, cientistas já tentavam responder a uma pergunta ambiciosa: a luz pode modificar processos biológicos?

A história mostra que sim — mas também revela que foram necessárias décadas de experimentação para transformar essa ideia em uma tecnologia com comprimentos de onda, irradiância, potência e dose controlados.

A fotobiomodulação (FBM), portanto, não nasceu de uma tendência recente. Suas raízes estão na história da fototerapia há mais de um século, enquanto a fotobiomodulação moderna começou a tomar forma na década de 1960.

1903: quando a luz chegou ao Nobel de Medicina

Um dos primeiros grandes capítulos dessa história foi escrito pelo médico dinamarquês Niels Ryberg Finsen.

No final do século XIX, Finsen investigou os efeitos da luz sobre doenças da pele. Seu trabalho mais conhecido envolveu o uso de radiação luminosa concentrada no tratamento do lupus vulgaris, uma manifestação cutânea da tuberculose.

Em 1903, Finsen recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por suas contribuições ao tratamento de doenças com radiação luminosa. Era um marco para a fototerapia e para a investigação científica dos efeitos da luz sobre organismos vivos.

É importante fazer a distinção: Finsen não realizava fotobiomodulação nos moldes atuais. Seu trabalho pertence à história da fototerapia. Ainda assim, ajudou a consolidar uma ideia que atravessaria o século XX: a luz poderia ter efeitos terapêuticos mensuráveis.

1967: o experimento que mudou a história da fotobiomodulação

O ponto de partida da fotobiomodulação moderna viria mais de seis décadas depois.

Em 1967, o médico húngaro Endre Mester, da Universidade Semmelweis, investigava os efeitos de um laser de rubi sobre animais. Ao irradiar a pele raspada de camundongos com luz de baixa intensidade, observou algo inesperado: o crescimento dos pelos era acelerado no grupo irradiado.

Mester também identificou efeitos sobre a cicatrização de feridas e posteriormente levou suas investigações para úlceras de difícil cicatrização em humanos.

O artigo clássico sobre crescimento de pelos foi publicado em 1968 por Mester, Szende e Gärtner. Esses experimentos são considerados um dos marcos fundadores daquilo que durante décadas seria chamado de Low-Level Laser Therapy (LLLT).

A descoberta mudou o questionamento científico. O objetivo já não era destruir ou aquecer tecidos com energia luminosa, mas entender como doses relativamente baixas de luz poderiam estimular respostas celulares.

Da LLLT à fotobiomodulação

Nas décadas seguintes, lasers de baixa intensidade foram investigados em cicatrização, inflamação, analgesia, lesões musculoesqueléticas e outros campos. Mas, paralelamente ao avanço das aplicações, a ciência começou a compreender melhor como a luz interagia com as células.

Nesse processo, a pesquisadora Tiina Karu teve papel fundamental. A partir de estudos sobre os espectros de ação da luz vermelha e infravermelha próxima, Karu ajudou a estabelecer as bases fotobiológicas da área e propôs o citocromo c oxidase, cromóforo da cadeia respiratória mitocondrial, como um dos principais fotorreceptores envolvidos na resposta celular à luz. 

Os trabalhos de Karu contribuíram para deslocar a compreensão do fenômeno do equipamento utilizado para os mecanismos celulares desencadeados pela irradiação.

A própria tecnologia também evoluiu. Além dos lasers, LEDs passaram a ser empregados como fontes de luz, ampliando as possibilidades de cobertura e de desenvolvimento de dispositivos. A expressão Low-Level Laser Therapy tornou-se, assim, cada vez menos adequada para definir um fenômeno que não dependia exclusivamente do laser.

Em 2015, Juanita Anders, Raymond Lanzafame e Praveen Arany defenderam formalmente o uso do termo Photobiomodulation Therapy (PBM Therapy), hoje consolidado na literatura científica, para representar de maneira mais precisa a modulação de processos biológicos pela luz.

A mudança não foi apenas semântica. Ela refletiu o amadurecimento de um campo que passou a olhar menos para a fonte luminosa isoladamente e mais para a interação entre luz e tecido — considerando parâmetros como comprimento de onda, irradiância, energia, tempo de aplicação e características do tecido-alvo.

Saiba mais: Laser ou LED na fotobiomodulação transcraniana: qual é o mais eficaz?

O que acontece quando a luz encontra a célula?

A interação da luz com a célula é apenas o primeiro passo. Depois da absorção dos fótons, uma sequência de respostas pode alterar temporariamente o funcionamento celular e ativar diferentes vias de sinalização.

Entre os efeitos investigados estão mudanças na produção de ATP, na disponibilidade de óxido nítrico (NO) e na formação controlada de espécies reativas de oxigênio (ROS). Esses sinais podem influenciar expressão gênica, atividade de proteínas, resposta inflamatória, circulação local e processos associados ao reparo e à adaptação celular.

Hoje, sabe-se também que a fotobiomodulação não depende de um único mecanismo. Além das mitocôndrias, pesquisas investigam a participação de canais iônicos, receptores e outras estruturas celulares na resposta à luz.

É essa capacidade de desencadear respostas biológicas sem produzir dano térmico significativo que ajuda a explicar por que a fotobiomodulação passou a ser estudada em tecidos e condições clínicas tão diferentes.

Onde a fotobiomodulação é estudada hoje?

Quase seis décadas depois dos experimentos de Mester, a FBM está presente em diferentes linhas de investigação científica.

Entre elas, estão:

  • Neurologia e neurorreabilitação – neuroplasticidade, doenças neurodegenerativas e recuperação neurológica;
  • Psiquiatria e saúde mental – modulação de circuitos e processos metabólicos envolvidos em transtornos neuropsiquiátricos;
  • Reabilitação motora – recuperação funcional e suporte a protocolos multidisciplinares;
  • Medicina esportiva – fadiga, recuperação muscular e desempenho físico;
  • Dor crônica – analgesia e modulação de processos inflamatórios;
  • Cicatrização e regeneração tecidual – atividade celular, reparação e recuperação de tecidos;
  • Odontologia – mucosite oral, dor, cicatrização e outras aplicações complementares;
  • Dermatologia – queda de cabelo, controle da microbiota local e reparação da fibra capilar;
  • Medicina integrativa – associação da FBM a diferentes estratégias terapêuticas;
  • Geriatria – envelhecimento, comprometimento cognitivo e condições associadas à idade.

Uma revisão publicada em 2025 a partir de discussões promovidas pelo National Institute on Aging dos Estados Unidos mostra como a pesquisa atual já abrange mecanismos e possíveis aplicações em envelhecimento, comprometimento cognitivo, Parkinson, doenças cardiovasculares e outras condições relacionadas à idade.

Leia também: Fotobiomodulação integrada: entenda a conexão entre cérebro, circulação e intestino

Fotobiomodulação transcraniana: a luz chega ao cérebro

Entre as frentes mais recentes está a fotobiomodulação transcraniana (FBMt ou tPBM). Nessa modalidade, a luz infravermelha próxima (NIR) é aplicada sobre o couro cabeludo com o objetivo de modular processos celulares e neurofisiológicos.

Estudos investigam efeitos relacionados ao metabolismo mitocondrial, à produção de ATP, à hemodinâmica cerebral, à neuroinflamação e à neuroplasticidade.

É nesse campo que estão dispositivos como o Boné Infrallux, desenvolvido para uso domiciliar e equipado com 198 LEDs nos comprimentos de onda de 760 e 830 nm, e o Capacete Neurollux, voltado à prática clínica, com 204 LEDs de 850 nm. Ambos utilizam luz infravermelha próxima em sessões de 20 minutos.

Quer entender o que acontece no tecido cerebral após a aplicação da luz? Leia Como a fotobiomodulação transcraniana atua no cérebro? Neuroplasticidade, neurogênese e sinaptogênese sob a perspectiva da ciência.

Mais de um século de ciência — e uma história ainda em construção

Entre Finsen e a fotobiomodulação transcraniana existe mais de um século de investigação dos efeitos biológicos da luz.

Entre Mester e os dispositivos atuais, são quase 60 anos de pesquisa especificamente relacionada à fotobiomodulação.

Nesse intervalo, mudaram as fontes luminosas, os equipamentos, a compreensão dos mecanismos celulares e, principalmente, a precisão com que a luz pode ser administrada.

O avanço da fotobiomodulação não depende apenas de descobrir novas aplicações. Depende de definir para quem utilizar, onde irradiar, qual comprimento de onda escolher e qual dose entregar.

É assim que uma descoberta experimental amadurece até chegar à prática baseada em evidências.

Clique e conheça as tecnologias de fotobiomodulação transcraniana da Infrallux:

Boné Infrallux para uso domiciliar | Capacete Neurollux para uso clínico

FAQ — História da fotobiomodulação

Quem descobriu a fotobiomodulação?

Endre Mester é considerado um dos pioneiros da fotobiomodulação moderna. Em 1967, observou efeitos biológicos produzidos pela aplicação de laser de baixa intensidade em animais.

Qual a origem da fotobiomodulação?

Os experimentos que deram origem à área moderna começaram na década de 1960. Entretanto, a história do uso terapêutico da luz é anterior e inclui os trabalhos de Niels Finsen no século XIX.

Fotobiomodulação é a mesma coisa que laserterapia?

Não necessariamente. A fotobiomodulação pode utilizar diferentes fontes de luz, incluindo lasers e LEDs, desde que sejam empregados parâmetros capazes de desencadear respostas fotobiológicas sem objetivo ablativo.

Para que a fotobiomodulação é estudada?

A literatura investiga aplicações em áreas como dor, cicatrização, reabilitação, neurologia, odontologia, dermatologia, medicina esportiva, saúde mental e envelhecimento.

O que é fotobiomodulação transcraniana?

É a aplicação de luz sobre a região craniana para modular processos biológicos relacionados ao funcionamento cerebral. Atualmente é estudada em neurologia, saúde mental, cognição e neurorreabilitação.

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