A terapia ILIB pode ser aplicada por diferentes vias. Na técnica original, uma fibra óptica é introduzida no sistema vascular. Nas modalidades não invasivas, a luz é posicionada sobre uma região vascularizada, como a pele do punho (ILIB transcutâneo) ou a mucosa sob a língua (ILIB Sublingual).
Embora todas essas abordagens compartilhem a proposta de utilizar a luz para modular componentes sanguíneos e respostas biológicas sistêmicas, elas não são tecnicamente idênticas. A região escolhida determina quais tecidos a luz precisa atravessar, quanto da energia luminosa pode ser absorvida ou espalhada e quais estruturas são irradiadas antes de os fótons alcançarem o sangue circulante.
Por isso, a comparação entre ILIB sublingual e ILIB transcutâneo deve considerar anatomia, propriedades ópticas, parâmetros dosimétricos, evidências disponíveis e viabilidade clínica — sem pressupor superioridade absoluta de uma modalidade sobre a outra.
O que é ILIB e como surgiu a técnica?
ILIB é a sigla historicamente utilizada para Intravascular Laser Irradiation of Blood, ou irradiação intravascular do sangue com laser.
A técnica começou a ser estudada na antiga União Soviética, principalmente a partir da década de 1970.1 Em sua configuração original, uma fibra óptica acoplada a um laser de baixa potência era inserida em um vaso sanguíneo, geralmente por meio de um cateter na artéria radial. O objetivo era irradiar diretamente o sangue que passava pelo local.
Com o desenvolvimento da fotobiomodulação, surgiram alternativas não invasivas, como a irradiação na pele do punho e a intranasal. Daiane Meneguzzo, doutora em Tecnologia Nuclear (IPEN-CNEN-USP), e colaboradores já descreviam em 20172 essas modalidades modificadas como alternativas que ampliam a aplicabilidade da técnica e facilitam seu uso fora do ambiente hospitalar.
Atualmente, a expressão ILIB também é empregada, na prática clínica, para técnicas realizadas com LEDs e sem acesso intravascular. Do ponto de vista técnico, essas aplicações podem ser descritas de maneira mais precisa como fotobiomodulação sistêmica não invasiva.
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ILIB intravenoso, ILIB transcutâneo no pulso e ILIB sublingual: qual é a diferença?
| Modalidade | Local de aplicação | Interface óptica | Invasividade | Característica prática |
| ILIB intravenoso | Interior de um vaso sanguíneo | Fibra óptica em contato direto com o sangue | Invasivo | Exige punção e materiais específicos |
| ILIB transcutâneo no pulso | Pele sobre a artéria radial | Epiderme, derme e demais tecidos entre o emissor e o vaso | Não invasivo | Aplicação externa, normalmente com pulseira; pode ter uso clínico e domiciliar |
| ILIB sublingual | Mucosa localizada sob a língua | Epitélio oral não queratinizado e tecidos conjuntivos superficiais | Não invasivo | Aplicação intraoral sob a língua (região fina e altamente vascularizada); pode ter uso clínico e domiciliar |
Na aplicação intravenosa, a luz é emitida dentro do vaso. Nas modalidades transcutânea e sublingual, parte da energia luminosa interage primeiro com os tecidos localizados entre o dispositivo emissor e o sangue.
A diferença central, portanto, não está apenas no ponto anatômico escolhido, mas na barreira óptica existente em cada via.
Por que a anatomia da região sublingual é relevante?
A mucosa localizada no assoalho da boca e na face inferior da língua é classificada como mucosa de revestimento. Diferentemente da gengiva e do palato duro, ela apresenta um epitélio predominantemente não queratinizado.
Além disso, o assoalho da boca está entre as regiões de menor espessura epitelial da cavidade oral. Um estudo com tomografia de coerência óptica avaliou 143 indivíduos saudáveis e encontrou aproximadamente 99 micrômetros de espessura epitelial nessa região, o menor valor entre os locais analisados.3
Sob esse epitélio encontram-se a lâmina própria (tecido conjuntivo localizado logo abaixo do epitélio que reveste o assoalho da boca), vasos superficiais e as veias sublinguais, frequentemente visíveis durante o exame clínico. Essa combinação de epitélio fino, ausência de uma camada córnea desenvolvida e vascularização superficial oferece um racional anatômico para a aplicação transmucosa da luz.
Isso não significa que a mucosa seja transparente ou que toda a energia emitida alcance o sangue. Absorção, reflexão e espalhamento continuam ocorrendo. Entretanto, há menos camadas epiteliais e menor queratinização em comparação com a pele do punho.
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O que acontece com a luz na aplicação transcutânea de ILIB no pulso?
Com o ILIB transcutâneo no pulso, o emissor é posicionado sobre a pele na região da artéria radial. Antes de alcançar estruturas vasculares mais profundas, a luz precisa atravessar a epiderme, a derme e, dependendo da anatomia individual e do posicionamento, outros tecidos superficiais.
Durante esse percurso, os fótons podem ser refletidos, espalhados ou absorvidos. A melanina é um dos principais cromóforos de absorção na epiderme, enquanto a hemoglobina desempenha esse papel na derme.
Além da absorção, o comportamento da luz é influenciado pelo espalhamento, que ocorre quando os fótons interagem com centros de dispersão na pele, sendo as fibras de colágeno (na derme) e os melanossomas (na epiderme) os principais responsáveis por esse fenômeno.4
A energia que efetivamente alcança o vaso pode variar conforme:
- comprimento de onda;
- irradiância e área do feixe;
- espessura dos tecidos;
- pigmentação da pele;
- profundidade e calibre do vaso;
- precisão do posicionamento;
- pressão exercida pelo aplicador;
- duração da exposição.
Essas variáveis não invalidam a técnica transcutânea no pulso. Elas indicam que a dose programada no equipamento não deve ser interpretada automaticamente como a dose recebida pelo sangue.
Como a fotobiomodulação pode interagir com o sangue?
Quando a luz infravermelha próxima alcança o leito vascular, diferentes componentes podem participar da resposta biológica.
Leucócitos, plaquetas e células endoteliais possuem mitocôndrias. Nessas células, a fotobiomodulação pode influenciar processos relacionados à cadeia respiratória, à sinalização redox, à disponibilidade de óxido nítrico e à expressão de mediadores celulares.
Os eritrócitos (as hemácias), por outro lado, não possuem mitocôndrias. Por isso, seus efeitos não podem ser explicados pela estimulação mitocondrial clássica. Estudos experimentais investigam outros possíveis fotorreceptores e mecanismos, incluindo hemoglobina, membrana celular, proteínas e moléculas de água.
Em estudo in vitro5, a fotobiomodulação do sangue com infravermelho próximo produziu alterações dose-dependentes na ativação plaquetária e reduziu a hemólise e a fragilidade osmótica dos eritrócitos. Essas descobertas comprovam que as células do nosso sangue conseguem interagir de forma ativa e benéfica com a luz.
Também são investigadas respostas indiretas nos tecidos irradiados. Na aplicação sobre o punho, por exemplo, a luz pode modular células cutâneas, endotélio e estruturas perivasculares, além do próprio sangue. Na região sublingual, podem participar da resposta as células da mucosa, o endotélio dos vasos superficiais e os componentes sanguíneos que circulam no local.
Como escolher entre ILIB sublingual e ILIB transcutâneo no pulso?
A escolha da técnica não deve depender apenas da facilidade de aplicação. O profissional precisa considerar:
- o objetivo terapêutico e a condição clínica;
- a evidência disponível para o desfecho desejado;
- o comprimento de onda e a dosimetria do equipamento;
- a integridade da pele ou da mucosa;
- a capacidade de adesão do paciente ao protocolo;
- as condições de higiene e a biossegurança;
- as contraindicações e as particularidades do paciente;
- a possibilidade de acompanhamento dos resultados.
O tempo de uma técnica também não deve ser transferido automaticamente para outra. Uma sessão de sete minutos na mucosa sublingual e uma sessão de 30 minutos no punho envolvem diferentes potências, áreas de emissão, barreiras ópticas e geometrias de aplicação. Tempo de exposição, isoladamente, não representa a dose terapêutica ideal.
Lineallux: ILIB pela via sublingual
O Lineallux é um dispositivo de ILIB registrado na Anvisa e desenvolvido para aplicação sob a mucosa da língua. Seu formato permite posicionar os emissores de luz em contato com a região sublingual, próxima aos vasos superficiais.
O equipamento possui quatro LEDs nos comprimentos de onda de 620 nm e 680 nm e realiza um ciclo automático de sete minutos. A aplicação não exige agulhas, cateteres nem acesso venoso.

Por ser compacto e ter parâmetros predefinidos, o Lineallux pode ser integrado a protocolos clínicos e, quando indicado pelo profissional responsável, utilizado em ambiente domiciliar. Essa possibilidade favorece a regularidade das sessões e reduz barreiras relacionadas a deslocamentos ou procedimentos invasivos.
💡Confira detalhes:
Afinal, qual técnica é melhor?
A resposta depende do contexto clínico.
- O ILIB intravenoso oferece contato direto entre a luz e o sangue, mas envolve punção e maior complexidade operacional – por isso, tem caído em desuso;
- O ILIB transcutâneo no pulso é não invasivo e amplamente empregado, porém a luz precisa atravessar a pele antes de alcançar os vasos sanguíneos;
- O ILIB sublingual utiliza uma mucosa fina, pouco queratinizada e vascularizada, reduzindo as barreiras anatômicas entre o emissor e o leito vascular.
Essas diferenças justificam protocolos específicos para cada modalidade. No entanto, a anatomia favorável da região sublingual é relevante.
Perguntas frequentes
O ILIB sublingual é igual ao ILIB intravenoso?
Não. No ILIB intravenoso, uma fibra óptica é introduzida no vaso sanguíneo.
Na modalidade sublingual, a luz é aplicada externamente sobre a mucosa e atravessa os tecidos superficiais antes de interagir com os vasos e o sangue.
Por que o ILIB sublingual pode ter uma sessão mais curta?
O tempo depende da potência do dispositivo, da irradiância, da área iluminada, dos comprimentos de onda e da barreira anatômica. Protocolos diferentes não podem ser comparados somente pela duração da sessão.
O Lineallux pode ser utilizado em casa?
O dispositivo foi desenvolvido para uma aplicação simples e não invasiva tanto em consultório quanto em domicílio. O uso em casa deve seguir as instruções do fabricante e a orientação do profissional responsável pelo protocolo.
O Lineallux substitui o tratamento médico?
Não. A fotobiomodulação do tipo ILIB deve ser utilizada como recurso complementar e não substitui medicamentos, acompanhamento médico ou outras intervenções indicadas para a condição tratada.
Referências científicas
- SILVA, Vanessa Guerling da; MARTINS, Wesley. A ação sistêmica da terapia Intravascular Laser Irradiation of Blood (ILIB) para fortalecimento do sistema imunológico e processo inflamatório: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 12, n. 6, e24612642265, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v12i6.42265. Disponível em: <https://rsdjournal.org/rsd/article/download/42265/34217/447639>. Acesso em: 30 jul. 2026.
- MENEGUZZO, Daiane Thais; FERREIRA, Leila Soares; CARVALHO, Eduardo Machado de; NAKASHIMA, Cassia Fukuda. Intravascular Laser Irradiation of Blood. In: ILIB – Intravascular Laser Irradiation of Blood. [S.l.]: Doctor Laser Cursos, 2016. Cap. 46. Disponível em: <https://www.doctorlasercursos.com.br/uploads/files/2019/09/ilib-capitulo-de-livro-2016.pdf>. Acesso em: 4 ago. 2026.
- PRESTIN, Sven; ROTHSCHILD, Sacha I.; BETZ, Christian Stephan; KRAFT, Marcel. Measurement of epithelial thickness within the oral cavity using optical coherence tomography. Head & Neck, v. 34, n. 12, p. 1777–1781, dez. 2012. DOI: 10.1002/hed.22007. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22318761/>. Acesso em: 4 ago. 2026.
- SETCHFIELD, Kerry; GORMAN, Alistair; SIMPSON, A. Hamish R. W.; SOMEKH, Michael G.; WRIGHT, Amanda J. Effect of skin color on optical properties and the implications for medical optical technologies: a review. Journal of Biomedical Optics, v. 29, n. 1, art. 010901, 24 jan. 2024. DOI: 10.1117/1.JBO.29.1.010901. Disponível em: <https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10807857/>. Acesso em: 4 ago. 2026.
- WALSKI, Tomasz et al. Near-infrared photobiomodulation of blood reversibly inhibits platelet reactivity and reduces hemolysis. Scientific Reports, v. 12, art. 4042, 8 mar. 2022. DOI: 10.1038/s41598-022-08053-y. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/s41598-022-08053-y>. Acesso em: 4 ago. 2026.