Todo dia 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio amplia uma conversa que precisa continuar durante o ano inteiro. Para o triênio 2024–2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou o tema “Changing the Narrative on Suicide”, defendendo menos silêncio e estigma e mais diálogo, acesso ao cuidado e intervenções baseadas em evidências.
A dimensão do problema ajuda a explicar a urgência: estimativas atualizadas pela OMS em 2025 indicam cerca de 727 mil mortes por suicídio por ano, e o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos em 2021.
No consultório, porém, a prevenção começa antes de qualquer tecnologia: perguntar, avaliar, acolher e definir a conduta necessária.
O que merece atenção durante o atendimento?
Mudanças importantes de humor, desesperança, isolamento, perda de interesse, alterações marcantes do sono, prejuízo funcional e manifestações relacionadas à morte ou à falta de sentido devem ser compreendidos dentro do contexto clínico, não como sinais isolados.
Quando houver suspeita de ideação suicida, perguntar diretamente é adequado. A própria OMS reforça que conversar sobre suicídio não provoca o comportamento; ao contrário, pode reduzir a ansiedade e abrir espaço para que a pessoa expresse o que está vivendo.
Se houver risco imediato, a prioridade muda: é necessário mobilizar suporte e atendimento de urgência. No Brasil, a rede inclui CAPS, UBS, UPA, pronto-socorro e SAMU 192, conforme a situação.
O Brasil está ampliando as portas de entrada para o cuidado
Em 2026, novas iniciativas reforçaram justamente essa lógica de acesso e continuidade.
Em julho, o Pode Falar passou a integrar o Meu SUS Digital, oferecendo acolhimento e escuta para jovens de 13 a 24 anos, com expectativa de alcançar cerca de 11 mil atendimentos mensais.
Em agosto, oito Centros de Convivência em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina receberam habilitação e financiamento federal para integrar a rede de saúde mental do SUS, fortalecendo vínculos comunitários, inclusão social e reabilitação psicossocial. O movimento ajuda a lembrar que a saúde mental dificilmente se resolve por uma única intervenção.
Sono, estresse e cognição também entram nessa avaliação
Humor, sono, atenção, memória, energia e resposta ao estresse mantêm relações bidirecionais. Em psiquiatria e psicologia, acompanhar esses domínios ajuda a compreender tanto o quadro quanto sua evolução.
É também nesse cenário mais amplo que tecnologias complementares podem ser consideradas.
Nesse contexto, onde entra a fotobiomodulação transcraniana?
A fotobiomodulação transcraniana (FBMt) utiliza luz infravermelha próxima (NIR) aplicada ao couro cabeludo. A literatura investiga sua interação com processos relacionados à função mitocondrial, metabolismo energético, óxido nítrico, perfusão cerebral, sinalização inflamatória e neuroplasticidade.
📌Quer entender esse mecanismo em profundidade? Leia:
O que mudou nas evidências sobre depressão?
A produção científica continua avançando, mas exige leitura cuidadosa. Uma revisão7 publicada em 2025 no periódico Theranostics reuniu mecanismos e estudos clínicos e descreveu a fotobiomodulação como uma abordagem em investigação para depressão, ressaltando que protocolos padronizados ainda precisam ser estabelecidos.

Também em 2025, um ensaio randomizado8 com 48 pacientes com transtorno depressivo maior avaliou o uso da FBMt domiciliar durante oito semanas. A intervenção foi bem tolerada e apresentou resultado favorável para qualidade do sono.
Já uma meta-análise9 publicada em 2026, com 18 estudos de fotobiomodulação e abrangendo 918 participantes, encontrou redução global moderada e estatisticamente significativa dos sintomas depressivos.
📌Leia também:
- Ansiedade e depressão: como a FBMt pode ajudar?
- Fotobiomodulação transcraniana na psiquiatria: como a luz pode apoiar os pacientes?
Dispositivos de FBMt podem evitar o suicídio?
Até o momento, não há evidência para afirmar que um equipamento de FBMt previne suicídio. Esse não é o papel da tecnologia.
Diante do risco, entram avaliação clínica, manejo da crise, proteção do paciente, acompanhamento e articulação com a rede de cuidado.
A FBMt pode ser mpregada como recurso complementar em determinados protocolos de saúde mental, sem substituir psicoterapia, tratamento farmacológico, acompanhamento psiquiátrico ou intervenção de emergência.

FBMt no consultório e continuidade domiciliar
Para o profissional
O Capacete Neurollux foi desenvolvido para aplicação clínica conduzida pelo profissional. Possui 204 LEDs de 850 nm, ciclo pré-programado de aproximadamente 20 minutos e cobertura craniana ampla.

➡️Conheça o Capacete Neurollux na loja Infrallux
Para o paciente
Já o Boné Infrallux, com 198 LEDs — 99 de 760 nm e 99 de 830 nm —, permite incorporar a FBMt à continuidade domiciliar quando o protocolo definido pelo profissional prevê maior frequência de aplicação.

Tecnologia e acolhimento não ocupam lados opostos do cuidado. A responsabilidade está justamente em saber o que cada recurso pode oferecer — e onde estão os limites de cada um.

Baixe aqui o nosso e-book Saúde Mental
Referências bibliográficas
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World Suicide Prevention Day 2026: changing the narrative on suicide. Geneva: WHO, 2026. Disponível em: World Suicide Prevention Day 2026 – WHO. Acesso em: 27 ago. 2026.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Suicide. Geneva: WHO, 25 mar. 2025. Disponível em: Suicide – WHO. Acesso em: 27 ago. 2026.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Suicide: questions and answers. Geneva: WHO, 18 set. 2024. Disponível em: Suicide: questions and answers – WHO. Acesso em: 27 ago. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Rede de Atenção Psicossocial. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: Rede de Atenção Psicossocial – Ministério da Saúde. Acesso em: 27 ago. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Projeto Pode Falar chega ao Meu SUS Digital e amplia acesso de jovens ao cuidado em saúde mental. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 30 jul. 2026. Disponível em: Projeto Pode Falar – Ministério da Saúde. Acesso em: 27 ago. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Oito Centros de Convivência passam a integrar a rede de saúde mental do SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 6 ago. 2026. Disponível em: Centros de Convivência e saúde mental – Ministério da Saúde. Acesso em: 27 ago. 2026.
- WANG, Lian; MAO, Liwei; HUANG, Zhihai; SWITZER, Jeffrey A.; HESS, David C.; ZHANG, Quanguang. Photobiomodulation: shining a light on depression. Theranostics, v. 15, n. 2, p. 362-383, 2025. DOI: 10.7150/thno.104502. Disponível em: Artigo completo – Theranostics. Acesso em: 27 ago. 2026.
- GUU, Ta-Wei; CASSANO, Paolo; LI, Wan-Jing; TSENG, Yu-Hsiung; HO, Wen-Yu; LIN, Yi-Ting; LIN, Sheng-Yu; CHANG, Jane Pei-Chen; MISCHOULON, David; SU, Kuan-Pin. Wearable, self-administered transcranial photobiomodulation for major depressive disorder and sleep: a randomized, double blind, sham-controlled trial. Journal of Affective Disorders, v. 372, p. 635-642, 2025. DOI: 10.1016/j.jad.2024.12.065. Disponível em: PubMed – PMID 39706483. Acesso em: 27 ago. 2026.
- SEOK, Ji-Woo; KIM, Kahye; KIM, Jaeuk U.; KIM, Jung-Dae. Effect of photobiomodulation intervention for depressive symptoms: a systematic review and meta-analysis. Journal of Affective Disorders, v. 393, pt. B, art. 120413, 2026. DOI: 10.1016/j.jad.2025.120413. Disponível em: PubMed – PMID 41101469. Acesso em: 27 ago. 2026.